quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Salmo 121


Tema: Os perigos incertos da caminhada, mas o cuido certo do Senhor.

     O salmista do salmo 121 está rumando para Jerusalém para a observância das principais festas judaicas (Pascoa, Pentecoste e Tabernáculos). Parece haver uma progressão nesse trecho do saltério. Pois o salmo 120, fala da aflição de morar em meio a um povo ímpio de lábios mentirosos, ou seja, distante de sua amada Jerusalém. Já no salmo 121, dá a entender que o peregrino saiu da sua cidade de habitação e está rumando para o monte Sião.
     Agora a aflição do salmista ganha novos contornos. Antes, eram os ímpios que o cercavam, com seus lábios maliciosos, que o afligiam. Mas agora, a aflição surge das incertezas e perigos do caminho. Ele sai de um ambiente hostil e caminham por lugares inseguros.
       Quando no v.1 ele fala, Elevo os olhos para os montes: de onde me virá o socorro? É uma demonstração clara das incertezas e do medo que sobrevêm na caminhada. No v. 6 ele diz, de dia não te molestará o sol, nem a noite, a lua. São alguns dos possíveis perigos do caminho. Um caminho difícil, marcado pelo calor escaldante do dia e o frio intenso da noite.
     Outro fator de grande risco enfrentados pelos peregrinos que rumavam para Jerusalém, era os riscos de saques e assaltos no percurso. Cada vale, cada planície, cada trecho percorrido era marcado pela incerteza da insegurança do percurso.
   Mas é diante da incerteza da vida e da jornada que o salmista busca a certeza e segurança da proteção divina. E é sobre isso que iremos refletir.

1.     A segurança está no Deus do universo. V.2. O meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra.
   Os montes no verso primeiro apontavam para o lugar que eram erigidos os altares de ídolos. No contexto da época do salmo, provavelmente altares levantados aos baalins. 
    O salmista diante da incerteza e insegurança da jornada, ele decide confiar em Deus que fez os céus e a terra e não em ídolos. O salmista recorre ao Deus criador, ao grande Senhor do universo. O medo da insegurança do percurso é dissipado quando ele lembra que o seu Deus é o Deus do universo, o Todo Poderoso.Não há medo e nem insegurança que permanece diante da certeza de servir ao Senhor do universo.
    Imaginem a grandeza do universo. A esfera observável pode parecer ter quase 28 bilhões de anos-luz de diâmetro, ela é muito maior. Os cientistas sabem que o universo está se expandindo. Assim, enquanto os cientistas podem ver um local que estava a 13,8 bilhões de anos-luz da Terra, no momento do Big Bang, o universo continuou a se expandir ao longo de sua vida. Hoje, esse mesmo ponto está a 46 bilhões de anos-luz de distância, fazendo com que o diâmetro do universo observável seja de uma esfera em torno de 92 bilhões de anos-luz. Aí lembramos que o Deus que contemplamos, o Deus do nosso socorro é o Senhor que criou tudo isso.
    Quando estivermos com medo do percurso ou inseguros com os nossos próximos passos, lembremos que o nosso Senhor é o Deus do Universo, é o Deus criador de tudo, ou seja, o Todo Poderoso.
     Aquietemos os nossos corações na certeza do tamanho do poder do nosso Deus.
 
2.    A segurança está no zelo de Deus. V. 3-4. Ele não permitirá que teus pés vacilem; não dormitará aquele que te guarda. É cero que não dormita, nem dorme o guarda de Israel.

    A segunda coisa que faz o salmista descansar do medo e insegurança do percurso é o zelo que ele sabe que Deus tem por sua vida.
    Os versos 3 e 4 parecem soar como uma resposta dada por terceiros a aflição do salmista, Ele não permitirá que teus pés vacilem; não dormitará aquele que te guarda. É cero que não dormita, nem dorme o guarda de Israel. O medo e insegurança do salmista é confrontado pela afirmação do cuidado zeloso de Deus. A figura aqui é a de um vigia atencioso, que a todo instante está atento a qualquer movimentação suspeita. O Senhor é zeloso, ciumento, pelos seus.
    O medo e a insegurança se dissipam quando sabemos que o Senhor do universo é zeloso, ciumento, por sua noiva. O Senhor cuida de maneira zelosa de seus peregrinos no decorrer da jornada. Ele não dorme e nem cochila em sua vigília zelosa.
    Portanto, descasemos na certeza de que o Deus do universo, a quem nós servimos, é um Deus zeloso por nossas vidas em toda a peregrinação.

3.    A segurança está na presença de Deus. V. 5b. o Senhor é a tua sombra a tua direita.
   
     A terceira coisa que dissipa o pavor e a inquietação do peregrino é a pessoalidade de Deus.
    O salmista se vale de uma figura muito peculiar para demonstrar a pessoalidade de Deus em sua jornada, a da sombra. Para o salmista o seu Deus é o Deus do universo, é o Deus que vigia zelosamente, e também, o Deus pessoal. A figura de uma sombra traz a ideia de uma presença sempre constante e de pessoalidade, cada uma tem a sua. O Senhor é um Deus preocupado com a pessoalidade de cada um. Ele é o Deus preocupado com nossas particularidades.
    O Senhor Jesus deixou isso claro sobre a sua presença constante nas nossas vidas. Ele disse, E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século (Mt 28.20); e, E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco, o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós (Jo.14.16).
    A inseguridade e o amedrontamento do percurso devem desvanecer-se diante de um Deus tão pessoal. Cada um tem as dificuldades particulares de sua caminhada. É verdade que há perigos comuns, mas também é verdade que cada um tem as suas particularidades ao longo da jornada. Diante disso, o que nos conforta e encoraja é a certeza de termos um Deus que conhece cada peculiaridade nossa e também está presente em cada uma, como uma sobra, o tempo todo.
    Portanto, descasemos no fato de termos um Deus que é o Senhor do universo, que nos guarda com um vigia zeloso e nos conhece e nos acompanha com sobra.

4.    A segurança está no Deus da minha história. V. 8. O Senhor guardará a tua saída e a tua entrada, desde agora e para sempre.
     A quarta coisa que suprimem o medo e a insegurança é a certeza que o salmista tem que o seu Deus é o Deus de sua história.
    Durante a sua jornada rumo a Jerusalém o salmista está cercado da insegurança do caminho. Talvez perguntando, “como será o meu amanhã”? Mas ao entoar o salmo ele se depara com o verso 8 que diz, O Senhor guardará a tua saída e a tua entrada, desde agora e para sempre. O Senhor de sua vida é o Deus de todo o seu percurso, desde sua saída, início da peregrinação, até sua chegada, na Jerusalém. Ele lembra que sua vida não é fruto do acaso ou das circunstancias. Mas sua vida está nas mãos do Senhor de sua história. O Senhor do universo é o Senhor de nossa história.
    Devemos descansar na certeza de que servimos e adoramos ao Senhor de nossa história. A nossa vida está nas mãos de nosso Senhor. Nas palavras de Jesus, Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão. Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar. Eu e o Pai somos um. (João 10.28-30).
   Descansemos na certeza de quem ninguém pode nos arrebatar das mãos do Pai. Nada, nem destino, nem acaso e nem circunstancias.

Conclusão
Aquietemos os nossos corações na certeza que o Deus a quem servimos é o Deus do universo, que tem um olhar de um vigia zeloso e atento a todas as nossas particularidades do percurso, que também é o Deus da nossa história.

Soli Deo gloria!

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  • Bíblia Sagrada Almeida Século 21: Antigo e Novo Testamento / [coordenação das revisões exegética e de estilo da Bíblia Almeida Século 21 - Luiz Alberto Sayão]. São Paulo: Vida Nova, 2008.
  • Bíblia Shedd; Traduzida em português por João Ferreira de Almeida. - 2. ed. rev. e atual. no Brasil. - São Paulo: Vida Nova; Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1997.
  • CARSON, D. A. Comentário bíblico: Vida Nova, São Paulo: Vida Nova, 2009.
  • RADMACHER, Earl; ALLEN, Ronald B.; HOUSE, H. Wayne. O Novo Comentário Bíblico: Antigo Testamento, Rio de Janeiro: Editora Central Gospel, 2010.

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