1Se o Senhor não estivesse do nosso lado; que
Israel o repita:
2Se o Senhor não estivesse do nosso lado quando os inimigos nos atacaram,
3eles já nos teriam engolido vivos, quando se enfureceram contra nós;
4as águas nos teriam arrastado e as torrentes nos teriam afogado;
5sim, as águas violentas nos teriam afogado!
6Bendito seja o Senhor, que não nos entregou para sermos dilacerados pelos dentes deles.
7Como um pássaro escapamos da armadilha do caçador; a armadilha foi quebrada, e nós escapamos.
8O nosso socorro está no nome do Senhor, que fez os céus e a terra.
2Se o Senhor não estivesse do nosso lado quando os inimigos nos atacaram,
3eles já nos teriam engolido vivos, quando se enfureceram contra nós;
4as águas nos teriam arrastado e as torrentes nos teriam afogado;
5sim, as águas violentas nos teriam afogado!
6Bendito seja o Senhor, que não nos entregou para sermos dilacerados pelos dentes deles.
7Como um pássaro escapamos da armadilha do caçador; a armadilha foi quebrada, e nós escapamos.
8O nosso socorro está no nome do Senhor, que fez os céus e a terra.
Tema: Louvando a Deus por seu socorro.
Esse á um dos salmos de romagem que tem
sua autoria atribuída ao rei Davi. Alguns estudiosos tentam definir qual o
momento específico da vida de Davi o salmo fala. Poderia ser quando ele enfrentou
o poderoso Golias, ou quando fugia da ira do rei Saul, ou mesmo, falando das
recorrentes investidas dos filisteus contra o seu reinado1. Não
obstante, há uma ideia de comunidade no salmo, com termos como: “estivesse do
nosso lado”, “nos atacaram”, “nosso socorro”, e outros2. Que sugerem
um momento de tensão comum, descartando algo pessoal na vida do poeta real. Tal
fato se encaixaria com a luta contra os filisteus ou como um salmo composto de
memorias dos momentos históricos do povo. Independente do ponto de vista adotado,
é claro no texto que eram momentos de grande de dificuldade para o povo de
Deus.
Nos dois primeiros versos do texto, o
salmista de maneira enfática fala sobre a presença de Deus nos momentos de
adversidade, se o Senhor não estivesse ao
nosso lado. Dando ênfase a presença constante de Deus. O “se” do texto,
mesmo sendo uma conjunção condicional, o seu caráter é hipotético3
ou retórico. O Deus da aliança não abando o seu povo. A proposta do salmista é
levar o povo a reflexão de como seria uma vida sem os cuidados desse Deus, a
fim de levar o povo a louvar seu Senhor mesmo nos momentos difíceis.
Davi utiliza duas metáforas para demonstrar
como seria a vida sem a proteção divina (vs. 3-5). Como seria uma vida sem
Deus. Uma história deixada a própria sorte.
A primeira figura nos remete a um ataque
selvagem, como de um leão a sua presa. Apenas com um ato de ataque (v. 3),
fruto de sua ira, Israel seria destruído. Os inimigos tencionavam espreitar e
atacar o povo de Deus com um golpe fatal.
A segunda ilustração que Davi faz de uma
vida sem a proteção divina é de uma poderosa torrente de águas (4-5). Como um
pequeno riacho, ou mesmo um leito seco de rio pode transformar-se, de modo
repentino, em um caudaloso e destruidor rio, assim seria o ataque dos inimigos
do povo de Deus. Nas palavras do salmista: as
torrentes nos teriam afogado; sim, as águas violentas nos teriam afogados!
O povo sem a presença graciosa de Deus seria
presa fácil nas mãos de seus antagonistas. Que os devorariam de forma cruel e
avassaladora. Seriam extremamente destrutivos com a robustez de uma poderosa
enchente.
João Calvino faz o seguinte destaque
sobre como o povo teria recebido tais ilustrações: “Certamente, esta impressionante
linguagem deve ter exercido todo o efeito de uma ilustração vívida, de tal modo
que os fiéis sentissem que haviam sido resgatados pela mão divina como que de
um abismo profundo”4.
Depois de explorar o destino do povo nas
mãos de seus inimigos, na ausência da proteção divina. O salmista convida o
povo a bendizer a Deus (v.6), por não ter sido abandonado e o ataque dos
inimigos terem sido frustrados. Louvar a Deus é a resposta a essa ação protetora
de Deus. Ação essa que livrou do ataque (v.6) e também a armadilha (v.7).
O verso 7 utiliza a metáfora de um
alçapão de captura de pássaros. Ferramenta utilizado por caçadores para atrair
e aprisionar seus alvos. O Seu objetivo é duplo mesmo, a de ser um ambiente atrativo
(com comida e próximo a outro pássaro já prisioneiro) e aprisionador (serve
como cativeiro também). Mas o desfecho da metáfora está na ação de Deus de
destruir (foi quebrada) tal armadilha
inimiga.
O desfecho ou objetivo pretendido pelo
salmista, que é mostrar o povo a importância de Deus, é alcançado no verso 8.
Harman o considera o estribilho dos versos um e dois5. Em suas
palavras: “Enquanto os versículos interpostos consideram o passado (vs. 2-7),
agora a visão é para o futuro, com uma profissão de confiança no Deus pactual
de Israel”6.
Portanto, o objetivo do salmista é
demonstrar para o seu povo que seu Deus, o Deus da aliança, era um Deus
presente (vs.1-2) e gracioso (vs. 6-8). O Deus de Israel é um Deus que está
presente em toda a peregrinação de seu povo e sua graça está sempre pronta a
socorre-los.
Soli Deo gloria!
NOTAS
1 NICODEMOS,
Augustos. Salmo 124: Se não fosse o Senhor. Em: <https://www.youtube.com/watch?v=Ob2X-Oc64gs>
acesso em: 07 de março de 2017, às 16:38.
2 HARMAN, Allan.
Comentário do Antigo Testamento – Salmos. São Paulo: Cultura Cristã, 2011. p.
429.
3 Idib, p. 429.
4 CALVINO, João.
Comentário de Salmos – Vol. 4. São Paulo: Fiel. p. 354.
5 HARMAN, Allan.
Comentário do Antigo Testamento – Salmos. São Paulo: Cultura Cristã, 2011. p.
430.
6 Idib. p. 430.
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